17 de outubro de 2013

trauma e superação


"Só quem superou a dor provocada por um trauma sabe o quanto é difícil reconstruir a vida quando dar a volta por cima parece algo impossível. Perda de uma pessoa querida, separação, doença, acidente, assalto, sequestro, abuso sexual e catástrofe natural, seja qual for o agente causador do sofrimento, ele pode desencadear sequelas psicológicas devastadoras em suas vítimas. Mesmo assim, é possível transformar uma experiência traumática em apenas uma história de superação.
“Além de provocar sofrimento de magnitude e duração variáveis, o trauma psicológico pode afetar depreciativamente tanto a qualidade de vida quanto o funcionamento cognitivo, a saúde física e as relações interpessoais”, afirma o psicólogo Julio Peres, doutor em Neurociências e Comportamento pela USP e autor do livro “Trauma e Superação: o que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade ensinam” (editora Roca). Entre os diversos efeitos causados por um evento traumático estão: confusão mental, desorientação temporal, descrença, ansiedade, desamparo, desespero, raiva, negação, tristeza, conflitos nas relações sociais, além dos prejuízos físicos como abuso de álcool e drogas, alterações cardiovasculares, fraqueza e insônia.
O especialista explica que não há como dizer que uma experiência traumática é pior que a outra, uma vez que um trauma pode ficar temporariamente indefinido no aparelho psíquico da vítima. “É como se as reciprocidades neurais estivessem impedidas de reconhecer e transpor o evento traumático do nível da sensação e da percepção para o registro do simbólico e do verbal”. Assim, a caracterização de um trauma depende da percepção do indivíduo, que é influenciada pela subjetividade. “Por isso, não podemos dizer que uma pessoa que amputou um dedo sofre menos do que aquela que amputou as duas pernas. A disposição e o temperamento influenciam significativamente na continuidade ou redução do sofrimento”. As vítimas que se entregam ao isolamento, por exemplo, certamente ficam mais vulneráveis a sofrer uma depressão do que as mais positivas que optam por buscar ajuda. Para Peres, por ser um estímulo superior a capacidade de processamento cognitivo do indivíduo, o trauma, geralmente, merece atenção e cuidados terapêuticos específicos. Mas, nada impede que a própria pessoa dê um importante passo para a superação, o de resgatar a esperança. “Estudos sobre esperança destacam importantes ganhos como a potencialização da motivação e da confiança para o enfrentamento de dificuldades graves”, ressalta.
O apoio espiritual ou religioso também pode ajudar no recomeço. “Buscar conforto na religiosidade, respeitando suas crenças, pode aliviar o sofrimento”, afirma o especialista. Além disso, outras recomendações se colocadas em práticas podem acelerar o processo de superação. Uma delas é evitar a autovitimização. “O que você diz para si e para os outros sobre o que ocorreu pode tanto aliviar quanto exacerbar o sofrimento. A fixação em diálogos internos do tipo “Isso é injusto” ou “Não poderia ter acontecido comigo” dificulta a busca de recuperação e favorece a continuidade da dor”.
Outro bom exercício é buscar exemplos alheios de superação para reforçar a ideia de que a própria dor também poderá ser sanada. Falar do sofrimento de forma adequada e com as pessoas certas é mais uma atitude sugerida pelo especialista. Construir novos objetivos de vida e engajar-se em um novo projeto também é essencial. Além disso, é extremamente importante não reagir ao trauma criando outro. “Não se deve responder a uma situação de violência gerando mais violência. Quem deseja matar o assassino do filho, por exemplo, pode ficar mais traumatizado com seu próprio ato, que não aplaca a dor psicológica, mas pelo contrário a enfatiza”.
Uma vez em que há a superação do trauma, pode-se dizer que ocorreu a resiliência. Na física, o termo se refere a possibilidade de um material voltar à forma normal depois de sofrer uma deformação. Para a psicologia, é a capacidade de tirar lições positivas após passar por uma experiência negativa. De acordo com Peres, por meio da resiliência, é possível reencontrar sentido na vida e ter a certeza de que se pode aprender e crescer com as experiências ruins. “A superação ocorre quando uma aliança de sofrimento e aprendizado é construída. Assim, a conclusão do processamento de um passado traumático pode libertar as pessoas para viverem no presente”, conclui."
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ando buscando a resiliência, mas essa, é uma tarefa das mais árduas que já tive em meu percurso. achei este texto da mariana teodoro , em um site bem 'surreal' do abílio diniz e a foto não me lembro de onde.

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