25 de novembro de 2011

hard to explain...

filho viajando, marido trabalhando e me encontro em casa só. depois de um período de vida difícil e exaustivo, acompanhado de uma enxurrada de sentimentos bons e ruins, a calmaria me causou certo estranhamento. a falta de preocupação hoje era minha única preocupação. então decidi abrir um vinho e volto a ouvir música. havia me proibido de ouvir música nos últimos tempos, decretei que não queria uma trilha sonora que marcasse este momento. preferi contar com minha memória fraca, que espero, com o tempo, me faça esquecer das coisas ruins e mantenha apenas as lembranças boas, as de antes, as de muito antes e as que virão depois. por diversas vezes eu queria escrever mas me sobravam os sentimentos, e faltavam as palavras certas. faltava também a coragem de registrar uma coisa que eu não queria registro. sei lá, só sei que a ferida é bem grande e ainda machuca. muito. a sensação é de perda do abrigo, do colo, do útero, perda de um único lugar onde eu pudesse me sentir segura mesmo que não estivesse de verdade. e a falta. a falta é a que mais dói, não ver, não ouvir e não sentir o cheiro... mas hoje não vamos lembrar. hoje vamos esquecer. hoje vamos só adormecer a lembrança, porque é sexta-feira, a previsão é de muito sol, com dias bem quentes e meu único compromisso é comigo mesma. desejo um ótimo final de semana a todos e a mim mesma.

14 de novembro de 2011

11-11-11

a conclusão mais difícil que se chega é que a vida continua, apesar de tudo. ela tem de continuar. a vida não para pra esperar sua dor passar. e a gente segue sem um pedaço, porque disso eu tenho certeza, uma parte de mim também morreu. e nada, nada, nunca mais vai ser como antes. a gente segue com a vida, mas segue manco, caolho, segue sem um braço, segue sempre sentindo uma coisa por dentro que as vezes parece um buraco, um vazio, as vezes parece uma angustia, um aperto. a vida agora tem de voltar ao lugar, mas esse lugar como a gente conheceu, já não existe mais...

9 de novembro de 2011

eu sei, tu sabes... eles não sabem.


“Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais. Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.”
(texto lindo da lya luft e foto linda que eu vi aqui)

close your eyes and i'll kiss you...

“A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre. - E depois que morre – perguntou o Visconde. - Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”
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(trecho de 'memórias de emília' de monteiro lobato que eu li aqui e foto daqui) )