8 de setembro de 2011

dá um pouco de atenção

“Olha bem na minha cara. Me confessa que gostou do meu papo bom, do meu jeito são, do meu sarro, do meu som, dos meus toques pra você mudar. Mulher sem razão, ouve o teu homem, ouve o teu coração. No final da tarde, ouve aquela canção que não toca no rádio. Pára de fingir que não repara nas verdades que eu te falo. Dá um pouco de atenção. Parta, pegue um avião, reparta. Sonhar só não tá com nada. É uma festa na prisão. Nosso tempo é bom, temos de montão. Deixa eu te levar então pra onde eu sei que a gente vai brilhar. Mulher sem razão, ouve o teu homem, ouve o teu coração batendo travado por ninguém e por nada na escuridão do quarto.” (letra do cazuza e foto daqui)

5 de setembro de 2011

coisas que minha mãe não sabe (ainda) ...

- que eu DETESTO aquele cheiro da uti. me arrepio toda vez que abro a porta e ele invade as narinas. tenho certeza que minha memória olfativa, vai me fazer lembrar dele por um bom tempo;
- que no começo estávamos todos feito barata tonta, mas que com o tempo fomos nos organizando e nos adaptando a uma nova realidade. não que gostemos, mas foi preciso ou todos entraríamos em colapso;
- que chego mais tarde em casa por conta do horário de visita, mas não deixo de vê-la nenhum dia. e que as vezes, quando chego, tenho o impulso de ligar pra ela pra avisar que cheguei bem, como sempre fazemos. dai me lembro que não posso ligar;
- que também tenho o impulso de ligar em outras circunstâncias, como quando preciso da sua opinião pra algo ou quando alguma coisa importante acontece, ou mesmo pra bater papo e jogar conversa fora, eu sempre falo muito e tenho bastante assunto como ela mesma diz. daí me lembro outra vez que não posso ligar;
- que perdi um grande amigo, um dos maiores incentivadores da minha mudança. infarto fulminante aos 38. fiquei baqueada;
- que a amy winehouse morreu aos 27 e não foi de overdose de drogas como todo mundo pensava. fiquei chateada. eu acreditava que ela pudesse mudar;
- que minha memória que já não andava muito boa agora piorou, tenho andado muito mais dispersa e esquecida;
- que minhas olheiras estão enormes e resolvi comprar um corretivo pra escondê-las. mas por conta da memória ruim, fiquei um tempão me esquecendo de comprá-lo; agora que comprei me esqueço de usá-lo;
- que o bolo de laranja e o cafézinho da cafeteria do hospital são uma delícia e estamos viciados;
- que tenho pensado muito nela e em muitas coisas nossas do passado, coisas da minha infância e adolescência com ela e algumas grandes atitudes que fizeram parte da minha educação e que talvez eu nunca tivesse parado pra analisar ou pensar como estou fazendo agora;
- que o papai ficou muito desnorteado com tudo isso. muito mesmo. só fazia chorar o tempo todo, mas tenho orgulho dele pegando metrô e vindo pra são paulo sozinho pra te visitar. ele tem se virado bem. esses dias pegou um ônibus em santos pra ir às lojas americanas, no centro, e ligou assim que chegou em casa pra contar sua façanha;
- que muita coisa fútil e desnessária que antes já não fazia o menor sentido pra mim, agora se perderam de vez. tenho repensado muito meus valores, minha vida e tudo mais ao redor;
- que andei muito nervosa por conta dos acontecimentos e descontei minha ansiedade todinha na compulsão. comi bastante e gastei bastante, tudo em excesso e muito mais do que eu podia. quando ela voltar vai me encontrar mais gordinha e mais pobrinha;
- que a cada dia ela apresenta uma melhora sim, e eu consigo notar, mas é bem pequenininha e nunca do tamanho que a gente queria. estamos aprendendo que a paciência é um exercício diário;
- que estou morrendo de vontade de abraçá-la. um abraço bem forte, apertado e demorado;
- que me corta o coração só poder vê-la uma hora por dia;
- que eu queria poder levá-la pra casa;
- e que a paciência é mesmo um exercício diário...
- a foto é daqui.