21 de março de 2011

o troco

gordinho 'importunado' por um menino franzino se revolta e video faz tanto sucesso na internet que assunto polêmico virou foco de vários programas na Austrália. no primeiro video a virada do jogo e no segundo a entrevista do garoto de 15 anos, que já havia pensado até em suicídio. agora, aqui entre nós, o preconceito contra os gordinhos existe desde sempre, mas é velado, escondido e silencioso. acaba com a possibilidade de sentir capaz e exclui os fora-de-padrão. e vejam que absurdo, o garoto provocador é tão menor e franzino, que ele já podia ter sido 'nocauteado' de primeira. parece um cachorrinho chiuaua latindo pra um um rottweiler.


a saga da celulite


uma dessas mulheres tem 26 anos, outra tem 56 e uma terceira é a kate moss... você consegue adivinhar qual é qual??' esse é o título da reportagem do daily mail sobre nossa velha e conhecida celulite. eu errei...


pra ver as outras mulheres, suas fotografias 'frente e verso' e saber como elas lidam com a inimiga no. 01 das mulheres, leia a reportagem completa (em inglês) aqui.

16 de março de 2011

joão amava tereza...

Já tinha um mês e resolvi ir nessa festa com cara de festa que você vai. Toda pessoa de cabelo cheio que entrava eu achava que era você. Assim como acho quando estou na rua, no supermercado, na fila do cinema, dormindo. Virei uma caçadora de pessoas cacheadas. Virei uma caçadora de você em todas as pessoas. Então você chegou na festa. E eu apenas sorri e sorri e sorri. Porque era isso. Eu queria te ver apenas. A dor numa caixinha embaixo dos meus pés e eu mais alta pra poder te abraçar sem dor, perto da sua nuca e por um segundo. Eu te acho bonito de formas tão variadas e profundas e insuportáveis. Eu vejo você parecendo um leãozinho no fundo da festa. Suando e analisando. O rei escondido escolhendo a presa que não vai atacar. Com sua eterna tristeza cheia de piadas afiadas. Suas facas afiadas de graças para defender as tristezas que nadam baixas nos seus olhos de quem não quer fazer mal. Mas faz. Seus olhos. Em volta um riozinho melancólico e no centro o sol feliz e novinho chegando. E tudo isso vem forte como um soco de buquê de flores de aço no meu estômago. E eu quero ir até você e te dizer que eu sei que você desmaia quando faz exame de sangue. E como eu gosto de você por isso. E como eu queria tirar todo meu sangue em pé pra você jamais cair. E como eu gosto de você por causa do e-mail que você mandou pro seu amigo com problemas. Como gosto quando você lembra de alguém e precisa demonstrar naquela hora porque tem medo da frieza das suas distrações. Suas listas de culturas e atenções. Os vasinhos. Os vasinhos coloridos da cozinha me matam. A história do milagre que te salvou da queda da estante. Você arrepiado falando em anjos. Essas suas delicadezas em detalhes dormem e acordam comigo. Acariciam e perfuram meu peito vinte e quatro horas por dia. Uma saudade dos mil anos que passamos, ou das três semanas. A loucura de gostar tanto pra tão pouco ou simplesmente a loucura de tanto acabar assim. Fora tudo o que guardei de você, me restou a consideração que você guardou por mim. Sua ligação depois, quando me encontra. Sua mão estendida. Sua lamentação pela vida como ela é. Sua gentileza disfarçada de vergonha por não gostar mais de mim. A maneira que você tem de pedir perdão por ser mais um cara que parte assim que rouba um coração. Você é o mocinho que se desculpa pelo próprio bandido. Finjo que aceito suas considerações mas é apenas pra ter novamente o segundo. Como o segundo do meu nariz na sua nuca quando consigo, por um segundo, te abraçar sem dor. O segundo do seu nome na tela do meu celular. O segundo da sua voz do outro lado como se fosse possível começar tudo de novo e eu charmosa e você me fazendo rir e tudo o que poderia ser. O segundo em que suspiro e digo alô e sinto o cheiro da sua sala. Então aceito a sua enorme consideração pequena, responsável, curta, cortante. Aceito você de longe. Aceito suas costas indo. Aceito o último cacho virando a esquina. O último fio preso no pé da minha cama. Não é que aceito. Quem gosta assim não come migalhas porque é melhor do que nada, come porque as migalhas já constituem o nó que ficou na garganta. Seus pedaços estão colados na gosma entalada de tudo o que acabou em todas as instâncias menos nos meus suspiros. Não se digere amor, não se cospe amor, amor é o engasgo que a gente disfarça sorrindo de dor. Aceito sua consideração de carinho no topo da minha cabeça, seu dedilhar de dedos nos meus ombros, seu tchauzinho do bem partindo para algo que não me leva junto e nunca mais levará, seu beijinho profundo de perdão pela falta de profundidade. Aceito apenas porque toda a lama, toda a raiva, todo o nojo e toda a indignação se calam para ver você passar.
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(queria escrever com as vísceras feito a tati bernardi. a foto é daqui)

... que amava raimundo...


trailer do curta de spike jonze sobre o amor entre dois robôs. ele tem uma vida comum e tediosa e ela, cheia de vida e energia, aparece pra mudar tudo. o filminho tem 30 minutos e pode ser visto na íntegra aqui. lindoooo!

... que não amava ninguém.

Luísa julgava impossível terminar seu caso com Mário. Um dia, tenra como um pintinho saído da casca, chamou Mário a sua casa e pediu que não a procurasse mais. Ele relutou, mas foi. Ela nem chorou. Abriu a bolsa, apanhou a agenda e anotou o único compromisso para o próximo fim de semana: ser feliz.
Luísa julgava impossível terminar seu caso com Mário. Sofria da síndrome do fracasso prévio, já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Um dia, tenra como um pintinho saído da casca, chamou Mário a sua casa e pediu que não a procurasse mais. Ele relutou, mas foi. Ela nem chorou. Abriu a bolsa, apanhou a agenda e anotou o único compromisso para o próximo fim de semana: ser feliz.
Luísa julgava impossível terminar seu caso com Mário. Sofria da síndrome do fracasso prévio, já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Aquele amor mais parecia um câncer ou vício que não se cura. Ela esperava que um milagre acontecesse. Um dia, tenra como um pintinho saído da casca, chamou Mário a sua casa e pediu que não a procurasse mais. Antes, porém, sentou no colo e falou que talvez ainda valesse a pena tentar. Mário não disse palavra. Ela fez pé firme e pediu que ele fosse embora de uma vez. Ele relutou, mas foi. Ela nem chorou. Fez um café, sentou-se na sala e acendeu um cigarro. Abriu a bolsa, apanhou a agenda e anotou o único compromisso para o próximo fim de semana: ser feliz.
Luísa julgava impossível terminar seu caso com Mário. Sofria da síndrome do fracasso prévio. Já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Estavam juntos há mais de oito anos, mas Mário só prometia casamento quando bebia além da conta. Aquele amor mais parecia um câncer ou vício que não se cura. Ela esperava que um milagre acontecesse. Um dia, tenra como um pintinho saído da casca, chamou Mário a sua casa e pediu que não a procurasse mais. Antes, porém, sentou no colo e falou que talvez ainda valesse a pena tentar. Mário não disse palavra. Nisso tocou o telefone. Era a mulher de Mário dizendo que hoje era o último dia para pagar o Credicard. Mário pediu dinheiro emprestado à Luísa e foi entregar à mulher que estava esperando lá embaixo. Com o talão de cheques aberto sobre a mesa, Luísa disse olhando fundo nos seus olhos: você não tem dó de mim? Mais do que você pensa, ele respondeu. Tava na cara que aquilo era frase feita, ele nunca quis mudar a situação. Ela fez pé firme e pediu que ele fosse embora de uma vez. Ele relutou, mas foi. Ela nem chorou. E eu ainda lhe paguei o Credicard! Fez café, sentou-se na sala e acendeu um cigarro. Abriu a bolsa, apanhou a agenda e anotou o único compromisso para o próximo fim de semana: ser feliz.
Luísa julgava impossível terminar seu caso com Mário. Sofria da síndrome do fracasso prévio, já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Estavam juntos há mais de oito anos, mas Mário só prometia casamento quando bebia além da conta. No começo foi um romance muito apaixonado. Acreditavam que haviam nascido um para o outro. Hoje, aquele amor mais parecia um câncer ou vício que não se cura. Ela esperava que um milagre acontecesse. Um dia, tenra como um pintinho saído da casca, chamou Mário a sua casa e pediu que não a procurasse mais. Antes, porém, sentou no colo e falou que talvez ainda valesse a pena tentar. Mário não disse palavra. Nisso tocou o telefone. Era a mulher de Mário dizendo que hoje era o último dia para pagar o Credicard. Mário pediu dinheiro emprestado à Luísa e foi entregar à mulher que estava esperando lá embaixo. Com o talão de cheques aberto sobre a mesa, Luísa disse olhando fundo nos seus olhos: você não tem dó de mim? Mais do que você pensa, ele respondeu. Tava na cara que aquilo era frase feita, ele nunca quis mudar a situação. Ela fez pé firme e pediu que ele fosse embora de uma vez. Não sei se se fez de surdo ou de bobo, mas sugeriu que fossem comprar cerveja pra lavar a serpentina. Luísa disse que não estava a fim de cerveja porcaria nenhuma e que não queria prolongar aquele inferno por mais nem um minuto. Ele relutou, mas foi. Ela nem chorou. E eu ainda lhe paguei o Credicard! Fez café, sentou-se na sala e acendeu um cigarro. Abriu a bolsa, apanhou a agenda e anotou o único compromisso para o próximo fim de semana: ser feliz.
Meu nome é Luísa, tenho trinta e sete anos e sempre julguei impossível terminar meu caso com Mário. Passei a sofrer a síndrome do fracasso prévio, já tentara mil vezes e nunca havia conseguido. Estávamos juntos há mais de oito anos, mas Mário só prometia casamento quando bebia além da conta. Sóbrio, tinha sempre um punhado de razões: o filho, os cachorros, a casa, a mulher, o papagaio, a mãe doente, a grana. No começo foi um romance muito apaixonado. Acreditávamos que havíamos nascido um para o outro. Hoje, aquele amor mais parecia um câncer ou vício que não se cura. Sempre esperei que um milagre acontecesse. Um dia, tenra como um pintinho saído da casca, chamei Mário a minha casa e pedi que não me procurasse mais. Antes, porém, sentei no colo e falei que talvez ainda valesse a pena tentar. Mário não disse palavra. Depois riu: você já me falou isto mil vezes. Nisso tocou o telefone. Era a mulher dele dizendo que hoje era o último dia para pagar o Credicard. Pois ele teve a cara de pau de me pedir dinheiro emprestado e levar à mulher que estava esperando lá embaixo. Quando perguntei: e nós? E a nossa situação? Ele me disse: hoje é o último dia pra pagar o Credicard e você quer que eu pense na nossa situação? Ao subir, me encontrou feito estátua na sala de jantar. Olhei fundo nos seus olhos e perguntei: você não tem dó de mim? Mais do que você pensa, ele respondeu. Tava na cara que aquilo era frase feita, Mário nunca quis mudar a situação. Fiz pé firme e pedi que ele fosse embora de uma vez. Não sei se se fez de surdo ou de bobo, mas sugeriu que fôssemos comprar cerveja pra lavar a serpentina. Disse-lhe que não estava a fim de cerveja porcaria nenhuma e que não queria prolongar aquele inferno por mais nem um minuto. Ele relutou, mas foi. Eu nem chorei. E eu ainda lhe paguei o Credicard! Depois que ele saiu, fiz café, sentei-me na sala e acendi um cigarro. Nunca mais fui feliz.
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(texto lindo da ivana arruda leite e foto daqui)

15 de março de 2011

antes da fama

richard corman fez fotos de madonna antes que os dois ficassem ricos & famosos. as fotos você confere na revista out de abril. eu, particularmente, gostava mais dela assim, meio 'bagaceira', mais 'procura-se susan desesperadamente', muito mais 'borderline'. mais autêntica do que hoje em dia.

godfathers of glam

ensaio da revista the ny times style com ícones 'glamorosos' do rock que continuam (e bem) na ativa. na foto ai de cima temos david gahan e aqui você vê lou reed, iggy pop e bryan ferry entre outros.

novidade


letuce é uma dupla nacional de som gostosinho e clipes caseisos bem bacaninhas.